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Se você não é especulador, não tome decisão apressada. Tenha em mente que seu investimento é de longo prazo e que oscilações são naturais no mercado de ações.
O mercado de ações tem dois tipos básicos de participantes: o investidor e o especulador.
O investidor (pessoa física) compra ações da mesma maneira que compra um imóveis ou outros bens, ou seja, investe a longo prazo. Aplica em fundo ou clube de ações ou numa carteira individual.
O especulador - não confundir com manipulador - é um investidor que corre riscos. Ele é muito importante para o mercado pois procura comprar na baixa e vender na alta, muitas vezes no mesmo dia, ganha ou perde com as oscilações e assim promove liquidez.
Os especuladores de dividem em dois grupos: os aventureiros, que atuam mesmo sem muito recursos e o grande investidor, que destina pequena parte de seu patrimônio com a intenção de melhorar o rendimento global de seus investimentos.
Estou recordando tudo isso para abordar os acontecimentos da última semana, um filme que já vimos inúmeras vezes.
O Índice Bovespa em cinco pregões caiu quase oito porcento arrastado pelas quedas das bolsas norte-americanas.
O motivo dessa queda no mercado americano também não surpreende.
Há pouco mais de dois anos o mercado imobiliário deles teve um período de crescimento extraordinário. Depois de uns tempos de depreciação, os negócios com imóveis tiveram forte reação. Aqueles que compraram na baixa e tiveram bom lucro com essa recuperação, mas muita gente que chegou depois, imaginando comprar um imóvel por US$ 200 mil e vendê-lo alguns meses depois por US$ 250 mil acabaram ficando com o mico. Não acharam mais compradores.
Quem tinha lastro, ficou com o imóvel e o capital empacado. No entanto, aqueles que compraram sem lastro, se endividando, agora não têm como liquidar as hipotecas.
Bem, semana passada o governo norte-americano divulgou que a inadimplência no setor é maior do que se pensava. Temerosos de que a economia global entraria em colapso grandes investidores saíram vendendo suas ações, principalmente dos chamados mercados emergentes, trocando por títulos do Tesouro americano, de risco zero. Resultado: as bolsas, com fortes oscilações, despencaram. Num mesmo dia o Ibovespa chegou a recuar mais de 6,0% para depois fechar com menos 3,2% (prato predileto dos especuladores).
Os fundamentos da economia mudaram ? Não. O Japão entrou em crise ? Não. As reservas brasileiras sumiram ? Não. Então essa crise é passageira, logo boas notícias promoverão a estabilidade e logo mais a recuperação.
Lembre-se que mesmo com essa queda de quase 8,0 %, ainda assim, a bolsa capitaliza mais de 18,5% no ano.
Resumindo: quem não é especulador, não deve tomar qualquer decisão apressada. Deve ter em mente que seu investimento é de longo prazo e que oscilações são naturais no mercado de ações.
Abraços,
Ernesto.
Ernesto Alonso Ortizseracionista@seracionista.com
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